domingo, 30 de dezembro de 2012

Versão brasileira: On the road / Pé na estrada

Depois de alguns anos sem leituras em português acabei jogando a toalha, o culpado foi o Skoob, quando abri minha conta e comecei a colocar meus livros na biblioteca virtual (ato nunca terminado) notei que alguns deles tinham sido quase que apagados de minha memoria. Isso me fez iniciar algumas releituras. Animado com o lançamento do filme, On the road acabou sendo o primeiro. Minha edição é aquela antiguinha, do finado Circulo do Livro, a capa ainda estava em bom estado e as paginas um pouco amareladas do tempo.
Minha primeira impressão foi meio obvia, afinal é mais fácil voltar a zona de conforto e ler no seu próprio idioma, você ganha muito em velocidade de leitura.

Vamos a sinopse: " Sal Paradise é o narrador de 'On the road - pé na estrada'. Ele vive com sua tia em Nova Jersey, Estados Unidos, enquanto tenta escrever um livro. Em Nova Iorque, conhece um andarilho de Denver de personalidade magnética chamado Dean Moriarty. Dean é cinco anos mais novo que Sal, mas compartilha o seu amor por literatura e jazz e a ânsia de correr o mundo. Tornam-se amigos e, juntos, atravessam os Estados Unidos, de New Jersey até a Costa Oeste, deparando-se com os mais variados tipos de pessoas, numa jornada que é tanto uma viagem pelo interior de um país pela Rota 66 quanto uma viagem de auto-conhecimento - de uma geração assim como dos personagens." 

Lembro que minha primeira leitura desse livro tinha sido precedida de muita expectativa, afinal todos rockeiros dos anos 60/70 citavam o livro como uma verdadeira Bíblia.
Não ha como negar que o livro é um marco na literatura americana, o estilo narrativo todo em primeira pessoa, o uso de linguagem coloquial, a apresentação de um modo de vida alternativo. As palavras vão jorrando da boca do narrador como se ele estivesse passando por uma catarse. Diz a lenda que o manuscrito original foi escrito em 3 dias, com o autor datilografando como um louco em um rolo de papel. A principio o manuscrito foi rejeitado pela maioria das editoras, sendo publicado somente 6 anos e muitas revisões depois.
On the road é leitura obrigatória para quem deseja conhecer o nascimento de uma geração que colocou a mochila nas costas e saiu a procura de seu sonho.
Aviso aos navegantes, se você gosta de um mundinho todo certinho, arrumadinho, esse não é um livro para você, pelas paginas de On the road correm muitas bebedeiras, drogas, sexo e só não têm rock and roll porquê ele ainda não existia, os personagens são fans de Jazz (Bebop), os personagens passam quase todo o tempo sem dinheiro e não pensam duas vezes em enganar alguém para conseguir algo, mulheres são usadas e largadas, filhos são abandonados sem remorso.
Como On the road têm inspiração autobiográfica utilizando o Google fica fácil pesquisar o quem é quem do livro. Recentemente foi lançada aqui no Brasil  On the road o manuscrito original, nessa versão os personagens estão retratados com seus nomes verdadeiros. 



Jack Kerouac    Neal  Cassady  


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Leia o livro, veja o filme 6: Novecento de Alessandro Baricco

Alessandro Baricco com certeza está na lista de meus autores favoritos, Novecento é um monologo para teatro, o qual acabou inspirando Giuseppe Tornate a criar o filme La leggenda del pianista sull'oceano.                                                               Sinopse: "Il libro racchiude la storia, raccontata dall'amico suonatore di tromba, sotto forma di monologo, di Danny Boodmann T. D. Lemon Novecento, pianista sul transatlantico Virginian. Abbandonato sulla nave da emigranti, viene allevato da uno dei componenti dell'orchestra. I suoi elementi naturali divengono il transatlantico, il mare e la musica. Non è mai sceso a terra e vive ed esiste solo sul Virginian dove presto diventa un pianista di successo. Anche se non ha mai visto che mare e porti, viaggia moltissimo, con la fantasia, carpendo le notizie dai passeggeri che incontra. A 32 anni decide di scendere a terra, ma all'ultimo momento Novecento ci ripensa e corre a rifugiarsi nuovamente nell'antro della nave."

Novecento é um livro pequeno, têm apenas 64 paginas, um livro fácil de ler, não somente pelo tamanho, mas também pela envolvente narrativa do autor, um livro extraordinário, leve e poético, com um toque de melancolia, além de encontrarmos um toque de fantástico  na estoria do garoto, encontrado em um navio, e que não se sabe como, torna-se um pianista fantástico, um livro que dá para ser lido agradavelmente em uma tarde sem grandes problemas.
Giuseppe Tornatore, conseguiu, na minha opinião, fazer uma ótima transcrição do papel para a tela, assisti o filme duas semanas após ter lido o livro e as imagens que vi na tela condiziam com as que eu tinha formado na minha mente durante a leitura de Novecento. 



Duas criticas opostas:
http://www.comingsoon.it/Film/Scheda/Trama/?key=33398&film=La-leggenda-del-pianista-sull-oceano
http://www.debaser.it/recensionidb/ID_17009/Giuseppe_Tornatore_La_Leggenda_Del_Pianista_SullOceano.htm

domingo, 2 de dezembro de 2012

Comprando o livro pela capa: Soldados de Salamina

"Cuando en los meses finales de la guerra civil española las tropas republicanas se retiran hacia la frontera francesa, camino del exilio, alguien toma la decisión de fusilar a un grupo de presos franquistas. Entre ellos se halla Rafael Sánchez Mazas, fundador e ideólogo de Falange, quizá uno de los responsables directos del conflicto fratricida. Sánchez Mazas no sólo logra escapar de ese fusilamiento colectivo, sino que, cuando salen en su busca, un miliciano anónimo le encañona y en el último momento le perdona la vida. Su buena estrella le permitirá vivir emboscado, protegido por un grupo de campesinos de la región, aunque siempre recordará a aquel miliciano de extraña mirada que no lo delató. El narrador de esta aventura de guerra es un joven periodista que se propone reconstruir el relato real de los hechos y desentrañar el secreto de sus enigmáticos protagonistas. Un quiebro inesperado, sin embargo, le llevará a descubrir que el significado de esta historia se encuentra donde menos podía esperarlo: porque uno no encuentra lo que busca, sino lo que la realidad le entrega."

Soldados de Salamina foi o segundo livro de Javier Cercas que eu li, o primeiro foi Anatomía de un Instante , já resenhado aqui nesse blog .
(http://poliglotanalfabeto.blogspot.com.br/2010/10/sugestao-de-livro-espanhol-2-anatomia.html).
O livro é bem interessante, um escritor em crise, de todo tipo; pessoal, profissional e de criatividade, fica tentado a voltar a escrever quando entra em contato com a historia de Rafael Sánchez Mazas. Na Espanha o livro é cercado de um pouco de polemica, alguns acusam o autor de ressucitar,sem necessiade, a obra de um dos criadores da Falange que levou ao Franquismo.
O narrador do livro se chama Javier Cercas, têm características parecidas com o escritor do livro, mas não é necessariamente ele.
 A certo ponto da historia o narrador entrevista o escritor Roberto Bolaño, mas apesar dos dois escritores serem amigos, a entrevista é real ou somente ficção literária?
Fatos reais e ficcionais vão se cruzando enquanto o narrador tenta saber se a historia de Rafael Sánchez Mazas é verídica e principalmente quem foi seu redentor.
Com relação ao redentor de Rafael Sánchez Mazas o livro deixa a conclusão desse mistério para o leitor.


Logo após a leitura do livro decidi ver o filme, como toda transição livro filme existem muitas diferenças, mas as duas maiores diferenças em relação ao livro são:
1- o narrador deixa de ser um escritor e passa a ser uma escritora, portanto deixamos as dualidades de Javier de fora
2- reguarda as conversas que o escritor/narrador têm com o também escritor Roberto Bolaño, toda essa parte foi deixada de lado no filme e Roberto Bolaño foi trocado por um estudante universitário.
Apesar das alterações o filme é tão bom quanto o livro.


sábado, 24 de novembro de 2012

Comprando o livro pela capa: Kafka sur le rivage

Duas vezes comecei a ler e larguei  este livro, na terceira vez peguei como ponto de honra e não larguei mais até o final. Assim como La fine del mondo e il paese della meraviglie (http://poliglotanalfabeto.blogspot.com.br/2010/11/comprando-livro-pela-capa-3-la-fine-del.html) esse livro de Murakami também é baseado em duas estorias, contadas em capítulos alternados, que por mais dispares que possam parecer vão se encontrar em um ponto comum.
Primeiro somos apresentados ao jovem Kafka, que vive atormentado por uma predição, feita por seu pai, de uma tragedia Edipiana . Depois somos apresentados a Nakata, vitima de um evento misterioso na juventude, que o deixou entre outras sequelas sem a capacidade de ler e/ou escrever, mas em compensação ele fala com os gatos.
Eventos estranhos, do tipo chuva de peixes, não param de ocorrer. Os vários mistérios que o livro levanta não são resolvidos de uma maneira clara, eu desisti de compreender completamente o que ocorria ao ler na pagina  469 a seguinte afirmação "Inutile d'essayer de chercher une logique lorsqu'il n'y en a pas".
Um tipico livro de Haruki Murakami, quem gosta de seu estilo, como eu, vai se deliciar, para quem ainda não conhece não recomendo como obra introdutória no universo do escritor japonês, o livro é longo, 638 paginas, na edição francesa, além de ser um dos mais intricados do autor.
Sinopse: "Kafka Tamura, quinze ans, fuit sa maison de  pour échapper à la terrible prophétie que son père a prononcée contre lui. Nakata, vieil  homme simple d'esprit, décide lui aussi de prendre la route, obéissant à un appel impérieux, attiré par une force qui le dépasse. Lancés dans une vaste odyssée, nos deux héros vont croiser en chemin des hommes et des chats, une mère maquerelle fantomatique et une prostituée férue de Hegel, des soldats perdus et un inquiétant colonel, des poissons tombant du ciel, et bien d'autres choses encore. Avant de voir leur destin converger inexorablement et de découvrir leur propre vérité."

Algumas resenhas interessantes:
http://www.lexpress.fr/culture/livre/kafka-sur-le-rivage_810922.html
http://www.telerama.fr/livre/15861-ami_murakami.php
http://www.critiqueslibres.com/i.php/vcrit/10885

domingo, 4 de novembro de 2012

Comprando o livro pela capa: Bartleby y compañia


Se você procura um livro tradicional, com enredo, personagens e estoria bem delineada fuja de Enrique Vila-Matas, os livros dele são tudo menos isso. Um caso tipico da literatura desse catalão é Bartleby y compañia,cuja sinopse se encontra abaixo.
"Señor Rulfo, ¿por qué lleva tantos años sin escribir nada? Es que se me murió el tío Celerino, que era el que me contaba las historias. Este libro habla de los que dejan de escribir (Rulfo, Rimbaud, Salinger...) e indaga en los motivos de cada uno para preferir no hacerlo. Todos conocemos a los bartlebys, son esos seres en los que habita una profunda negación del mundo. Toman su nombre del escribiente Bartleby, ese oficinista de un relato de Herman Melville que, cuando se le encargaba un trabajo o se le pedía que contara algo sobre su vida, respondía siempre, indefectiblemente diciendo: Preferiría no hacerlo. En "Bartleby y compañía" se habla del mal endémico de las letras contemporáneas, de la pulsión negativa o atracción por la nada. El narrador del libro, que está escribiendo un diario que al mismo tiempo es un cuaderno de notas a pie de página que comentan un texto invisible, demuestra su amplia solvencia como rastreador de bartlebys al pasear por el Laberinto del No, por los caminos de la que considera la más perturbadora y atractiva tendencia de las literaturas contemporáneas, tendencia en la que ve el único camino que queda abierto a la auténtica creación literaria, pues para él sólo de la pulsión negativa, del rechazo, sólo del Laberinto lúcido del No puede surgir la escritura por venir."
Em Bartleby y compañia, o narrador, uma especie de alter-ego corcunda do escritor, descreve em 86 notas, "a pé de pagina de um texto invisível", sua pesquisa sobre o fenômeno da não escritura, desfilando pelas 179 paginas, quais as varias razões que acabam por bloquear escritores.
Comecei minha leitura em uma sala de espera, e após quase 40 paginas lidas resolvi retomar tudo do principio, a razão foi bem simples, a infinidade de escritores citados.Confesso que eu nunca tinha ouvido falar de mais de 90% deles, decidi então voltar e ler com o computador ao lado, tendo o Grande Irmão Google conectado. A cada autor desconhecido acessava o Google e ao menos lia o que a Wikipedia dizia dele, isso tomou tempo, mas ao mesmo tempo foi revelador, já que foi possível descobrir, que entre a infinidade de escritores citados existiam alguns fictícios, durante todo o transcorrer do livro o senhor Enrique Vila-Matas vai pregando uma serie de brincadeiras com os leitores.
Com exceção do meio obvio Paranoico Pérez, um personagem que acreditava ter suas ideias roubadas por Jose Saramago, os outros personagens fictícios não eram, pelo menos para mim, tão facilmente identificáveis. 
Outra coisa que me chamou a atenção, foi que, várias situações vividas por escritores famosos, são tão inacreditáveis que parecem enredo de ficção.



Minha lista de escritores fictícios (posso estar errado): Marcel Maniere, Roberto Moretti, Clémente Cadou, Robert Derain, Oscar Wiener e Rita Malú.

Cesare Cremonini- La teoria dei colori

La teoria dei colori é o quarto disco de estúdio do ex- Lunapop Cesare Cremonini, contém 11 canções inéditas e foi lançado na Itália em maio desse ano. Conheci o trabalho de Cesare Cremonini através de seu Greatest-Hits 1999-2010,  e acabei escutando alguns de seus sucessos até a exaustão, isso acabou causando um estranhamento ao escutar as novas músicas contidas no álbum novo, o que me fez deixar esse disco de lado durante umas boas semanas.
Esse fim de semana resolvi dar uma nova chance ao disco e me surpreendi, o disco é muito bom, pop com pitadinhas de rock (Beatles) bem feito, creio que não gosto somente da última música  Il sole. 
Abaixo os dois primeiros clips retirados de cd, Il comico(sai che risate) e Una come te.
Alcune recensione italiane:
http://www.rockol.it/recensione-4912/Cesare-Cremonini-LA-TEORIA-DEI-COLORI
http://www.soundsblog.it/post/20635/cesare-cremonini-la-teoria-dei-colori-la-recensione
http://www.melodicamente.com/cesare-cremonini-la-teoria-dei-colori-recensione/
http://www.sentireascoltare.com/recensione/10138/cesare-cremonini-la-teoria-dei-colori.html
http://www.melodicamente.com/cesare-cremonini-la-teoria-dei-colori-recensione/
http://www.rockit.it/recensione/19762/cesarecremonini-la-teoria-dei-colori



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Comprando o livro pela capa: Persépolis


Marjane é uma criança quando começam os protestos que levam à queda do Xá do Irã, nascida em uma família politicamente engajada ela conta como passou a ser sua vida após a instalação da republica islâmica até o momento em que se exila na França.
A autobiografia de Marjane Satrapi, foi lançada na França originalmente em 4 fascículos, entre 2000 e 2004.A edição brasileira da Cia das Letras, que atualmente se encontra a venda, contém os 4 fascículos em 352 paginas.
Não posso dizer que eu li, na verdade eu devorei essas paginas, comecei no final da tarde de domingo e não consegui ir dormir antes de chegar ao final, creio que terminei lá pela uma da manha. A escrita de Marjane é envolvente, é ela não nos poupa de nada, desde cenas divertidas até algumas extremamente violentas. Ela também não deixa de contar as besteiras que fez durante todo esse período, algumas divertidas e outras meio perigosas.

Em 2007 saiu uma animação francesa, com Chiara Mastroianni fazendo a voz de Marjane (trailer abaixo).




http://www.critiqueslibres.com/i.php/vcrit/2962
http://www.evene.fr/livres/livre/marjane-satrapi-persepolis-27369.php?critiques
http://bd.livres.poesie.nanook-world.com/article.php3?id_article=205
P.S.=  não consigo me lembrar a quantos anos eu não lia quadrinhos.
P.S.1= também não lembro qual foi o último livro em português que eu tinha lido